Estudantes de artes visuais organizam manifestações a favor da educação na UFG

Por Cecília Fernandes - quinta-feira, maio 09, 2019

Anúncio de cortes na verba do ensino superior por parte do Governo Federal motivaram estudantes a organizar manifestações a favor da educação pública no Espaço das Profissões, evento que aproxima a comunidade acadêmica da população. 
Manifestações gráficas marcam presença no prédio da Faculdades de Artes Visuais, espaço físico com maior número de ações a favor da educação no Espaço das Profissões. Foto por: Cecília Fernandes
Nos dias 7 e 8 de maio aconteceu o Espaço das Profissões, no Campus Samambaia da Universidade Federal de Goiás (UFG). De acordo com a Secretaria de Comunicação da UFG (SECOM-UFG), o evento anual tem como intenção “aproximar os universitários e profissionais da Instituição de estudantes do ensino médio interessados em ingressar na UFG”. Neste ano, o Espaço das Profissões contou com mais de 25 mil estudantes do ensino médio interagindo com os 156 cursos de gradução e suas respectivas atividades, estima o portal de notícias da Universidade.

O destaque dessa edição foram as manifestações dos estudantes do Ensino Superior, realizadas nos prédios e institutos da Universidade. O anúncio do atual Ministro da Educação, Abraham Weinstraub, sobre o corte de 30% na verba das UF de todo o país incentivou a organização de protestos por parte dos Centros Acadêmicos e dos estudantes a favor do ensino público. A Faculdade de Artes Visuais (FAV), instituto com maior concentração de cursos de Graduação no Campus Samambaia, utilizou da arte gráfica para informar os participantes do evento e se posicionar diante das ações do Governo Federal.

Cartazes fixados pelos corredores da FAV levaram  informações sobre a Universidade Federal de Goiás ao público participante do Espaço das Profissões. Foto por: Cecília Fernandes
Arte gráfica
Nos corredores do instituto, os cartazes fixados pelos membros do Centro Acadêmico Regional Attilio Côrrea Lima (Caracol), do curso de Arquitetura e Urbanismo, trouxeram frases de impacto e fácil leitura. "Nosso objetivo era chamar a atenção para o que a Universidade produz e o que ela significa para a Comunidade, para o que seria perdido com esses cortes no orçamentos." explicou Luana Chagas Schmidt, Diretora Geral do Caracol. Segundo ela, a utilização das frases, além da repetição proposital, tiveram como intenção incentivar aqueles que vissem os cartazes a pesquisar, se informar sobre a atuação da Universidade Federal de Goiás.

A frase principal, "A UFG não chega ao final do ano letivo após os cortes", é de autoria do reitor da Universidade, Dr. Edward Madureira. "Nosso orçamento vem encolhendo por conta da Emenda Constitucional 95, que limita a ampliação do orçamento de um ano para o outro para além da correção inflacionária. Nós já entramos no ano de 2019 com um déficit, esse corte de 30% é absolutamente inadministrável", explicou o reitor em entrevista para a CBN Goiânia no dia 2 de maio.

Redes sociais
A manifestação dos Centros Acadêmicos, assim como as dos estudantes, alcançou as redes sociais. O Caracol utilizou as mesmas artes no Instagram oficial, obtendo o alcance de 13 mil usuários por meio dos compartilhamentos e pelos 3 mil likes na publicação. "Essa divulgação do que acontece dentro das Universidades causa a aproximação entre a sociedade e os universitários. Existe um abismo entre essas duas partes.", explica Luana Chagas, "Conhecendo o trabalho da Universidade Pública, as pessoas começam a valorizar esse espaço e se colocar ao lado da luta pela permanência dessas instituições."
Analytics da publicação no Instagram do Centro Acadêmico de Arquitetura e Urbanismo. Reprodução: Instagram 
Para Maruiá Bergmann, estudante do terceiro período de Educação Física Bacharelado e digital influencer no Instagram, a divulgação pelas redes sociais surge como uma oportunidade de alcançar um público diferente, desde familiares até desconhecidos que acompanham o conteúdo produzido. Dentro do seu perfil na rede social, Maruiá realizou uma série de publicações em formatos de stories, apresentando as principais manifestações que aconteceram no Campus Samambaia no dia 07 de maio, primeiro dia do Espaço das Profissões.

"O Espaço das Profissões é um momento perfeito para essas manifestações. É onde estão todos os estudantes, de todos os cursos, expondo pesquisas e projetos realizados dentro de cada área de estudo." explicou a estudante quando questionada sobre a importância dessas manifestações. "Nesse evento é onde a população pode ver que existem pessoas crescendo profissionalmente e até mesmo como pessoas, é sobre isso que é uma Universidade."
Screenshots dos stories publicados no perfil da estudante e digital influencer. Reprodução: Instagram 
Participantes
Para Mariana Alves Rosa, estudante do terceiro ano do Ensino Médio do ensino privado, o corte de 30% da verba é uma manipulação do conhecimento no Brasil. A participante do segundo dia do Espaço das Profissões considera que o acesso ao conhecimento é a principal forma de mudar a situação política do país e vê as manifestações dos estudantes no prédio da Faculdade de Artes Visuais como algo essencial. "Aceitar esse corte do governo é dizer que está tudo bem.", afirma ao ser questionada quanto a opinião sobre as intervenções acontecendo no evento. "É aceitar uma condição, uma realidade que não vai te favorecer. Essas manifestações são uma forma de mostrar o que a gente pensa, no que acreditamos".

Isabela Gomes Correa, estudante do primeiro ano do Ensino Médio no Centro de Ensino e Pesquisa Aplicada à Educação (CEPAE-UFG), explica que a Universidade Pública é sua única forma de acesso para o Ensino Superior, por conta da situação financeira da família. "Estudar em uma Universidade Pública também seria uma conquista das mulheres da minha família. Entre três gerações de mulheres, eu seria a primeira a ingressar no Ensino Superior.", completa.
Acima, Mariana Alves Rosa interage com as coletâneas de artigos científicos do curso de Design de Ambientes. Abaixo, Isabela Gomes Correa interage no quadro-negro central da sala interativa. Fotografia e montagem por: Cecília Fernandes

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