Filme: Beleza Oculta

domingo, maio 07, 2017 Cecilia Fernandes 0 Comments


Embora tenha abandonado as indicações e resenhas aqui no blog, continuo lendo muito e vendo filmes incríveis. Buscando reviver a tradição de indicações literárias e cinematográficas, optei por resenhar um dos melhores filmes que vi nesses meses durante os intervalos de estudo e socialização saudável. 
O filme da vez chama-se Beleza Oculta, pertencendo atualmente a minha lista de dez melhores filmes do gênero dramático já assistidos. Busquei outra abordagem na intenção de descobrir novas formas de resenhar e conseguir transmitir a mensagem do filme sem spoilers. Espero que gostem.

O que mais importa para você, o tempo, o amor ou a morte? Para o protagonista Howard Inlet (Will Smith), um publicitário nova-iorquino e bem sucedido, a vida é movida por essas três coisas. Entretanto, a morte de sua filha destrói a realidade que ele vivia e todas as verdades que conhecia, transformando-o na casca de um homem triste, parado no tempo e na profissão. 

A trama se desenvolve a partir da tragédia que ocorre com Howard, aproximando a empresa da falência, o afastando de seus sócios (interpretados pela maravilhosa Kate Winslet, e os incríveis Edward Norton e Michael Peña) que tentam recuperar o amigo de sua própria morbidez e de todo o restante ao seu redor. Enquanto seus amigos enfrentam problemas pessoais graves e tentam equilibrar a situação profissional da empresa, Howard lida com um conflito quanto a participar de um grupo de apoio que trata sobre pais que perderam seus filhos, optando por viver uma vida isolado em que age roboticamente dentro de sua rotina, ignorando aqueles que buscam auxilia-lo.

Entretanto, Howard escreve cartas. Não para pessoas, mas para coisas. Ele escreve cartas para o Tempo, a Morte e o Amor (personificados respectivamente pelos atores Jacob Latimore, Helen Mirrem e Keira Nightley), utilizando da escrita para aliviar sua dor e revolta diante da situação que viveu. Quando seus amigos contratam uma espiã para encontrar algo em relação ao amigo, para conseguirem retirar a empresa do nome dele a fim de salvar o emprego da equipe, eles acabam descobrindo o hábito de escrever do amigo e decidem contratar atores para auxilia-los no objetivo.

Dentro desse contexto, a reflexão do filme começa a se desenvolver em torno dos valores da vida, das relações interpessoais, da solidão e principalmente de quem nós somos perante o mundo e os desafios diante das nosas trajetórias. 

Enquanto redigia a base para a resenha, buscando outros textos e sites, me deparei com uma série de longas críticas da imprensa se contrapondo com a opinião do público. Sim, o filme tem um elenco incrível e sim, o filme tem falas rasas e personagens que não são aprofundados pelos atores diante da infinitude de conflitos que o diretor David Frankell tentou materializar, partindo do roteiro do Allan Loeb. O filme tem seus defeitos, como todos têm, mas as qualidades são tantas que acabamos não percebendo os erros até ler sobre a opinião alheia. 

Para começar, a fotografia do filme é encantadora, encaixando-se com cada cena e emoção dos personagens, transformando-os em instrumentos capazes transmitir a mensagem principal: estamos todos conectados pelas mesmas coisas, apesar das formas diferentes. Cada cena nos atrai, cada segundo da história se desenrola e nos puxa para o clímax que conclui o filme com mais interrogações do que certezas. O conflito de cada um dos personagens é sentido na pele, de diferentes maneiras e perspectivas. Durante o filme nos questionamos se a situação é real ou não, procuramos vestígios, procuramos dicas e acabamos encontrando questionamentos para nós mesmos.

As críticas buscaram desconstruir o roteiro e a execução dos atores, comparando o filme com um grande clichê, em que o Will Smith revive o esteriótipo de um protagonista já interpretado por ele, no papel de Chris Gardner em À Procura da Felicidade. É importante ressaltar que embora o perfil do protagonista remonte esteriótipos e padrões, o contexto apresentado muda não somente a época, como os valores acerca da forma de sentir as coisas: o filme Beleza Oculta busca abordar temas como a depressão, a solidão e os problemas psicológicos do século. 

Não discordo quanto ao que é dito sobre a abordagem poder ter ido muito mais fundo, explorando os personagens e suas especificidades de forma completa. Entretanto, até mesmo a morbidez irritante de Howard ou a sensibilidade exacerbada do Amor permite a construção da história como um todo.  A reflexão parte do filme para dentro de cada pessoa, ou pelo menos é essa a intenção. 


Como autora desse texto, uma cinéfila que assistiu o filme com os pais e terminou o mesmo com o coração apertado, posso afirmar ter gostado da obra. A principal característica que moveu meu gosto pelo filme foi a empatia, ter imaginado a situação difícil que cada personagem enfrenta dentro da minha vida moveu um conjunto de sentimentos em mim.

O filme me fez lembrar de outros feitos pelos atores da trama. Entre o drama Sete Vidas, protagonizado por Will Smith e a comédia Mesmo Se Nada Der Certo, protagonizado pela minha musa Keira Knightley, percebi que o filme possui aquela mesma essência de um drama Hollywoodiano: um filme sobre perda, conflitos pessoais, dor, desafios e superação. Não me incomodei com essa essência por crer que a mesma foi bem trabalhada, por acreditar veemente a necessidade de se conversar em família sobre solidão, sobre desprendimento e principalmente sobre a saúde mental daqueles que passam por situações complicadas em silêncio. 

As lições foram várias, principalmente sobre o amor, o tempo e a morte, mas abrangeram campos ainda maiores justamente pelo fato do roteiro tentar abraçar todas as histórias e conecta-las ao Howard. O questionamento que fica é claro, honesto e digno de uma reflexão: o que você faria no lugar do Howard? O que você faria diante dos problemas dos personagens? O que você faria se tivesse um encontro com o Tempo, o Amor e a Morte? 

 Nós não podemos escolher quem nós amamos e quem nos ama de volta

Detalhes:
Lançamento: 26 de janeiro de 2017
Dirigido por: David Frankel
Gênero: drama
Duração: 1h37min
Nacionalidade: EUA
Trailer do filme: aqui
Classificação: 

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