15 coisas da vida de quem é baixinho(a)

domingo, dezembro 13, 2015 Cecilia Fernandes 0 Comments


Alô, alô pigmeus e pessoas cansadas desses apelidos
Quem me conhece é capaz de perceber minha pouca altura, em plena adolescência encontro-me com um metro e cinquenta e quatro há quase três anos sem ver nenhum problema nisso, até porque ser pequena tem seus privilégios sim, mas existem coisas que se tornam comuns nos nossos dias de convivência social e que merecem ser listados para reconhecimento do pequeno grande grupo que somos
Por experiência própria e com a ajuda de outros que compreendem a situação, juntei 15 casos muito presentes em nossas vidas. Espero que gostem :)
1. Apelidos
Aparentemente, nessa realidade em que as pessoas pequenas vivem, altura implica na necessidade de ser chamado por um nome que não te pertence, mas que por algum motivo te caracteriza. Os apelidos vão de Plutão até Tampinha ou de Nanica até Hobbit não parando por ai, qualquer coisa pequena acaba sendo associada a sua pessoa de forma automática e liberal.

2. Uso de diminutivos
Gracinha, fofinha, pequenininha, coisinha e tantos outros diminutivos que nos cercam como asteroides orbitando um planeta (insira aqui a piada do planeta anão) implicando que eles se assemelham a nós, e porque não usa-los como adjetivos em frases descritivas?

3. Abraços
Aquela história de "ouvir a batida do coração da pessoa" é poética e uma graça no fim das contas, mas acaba sendo estranho ir abraçar alguém e dar de cara com um peitoral, ou lidar com o constrangimento de uma pessoa praticamente ajoelhar na tentativa de gerar um abraço decente. 
Pior ainda é quando ela vai te cumprimentar normalmente e acaba te levantando do chão, o que gera certo medo de isso acontecer a qualquer momento
ps: medo de altura é real pra gente também

4. Fotos em grupo
 Cinco palavras, um sentimento constante e a tristeza que as acompanham: "Os pequenos ficam na frente" 
O ângulo da foto nunca te favorece, e quando você age para que ele te favoreça a cadeira é sua fiel companheira para que todo mundo saia enquadrado na área que seus braços curtos permitem existir, no final da prosa você só quer apertar o click enquanto tenta se encaixar na foto como todos os outros ali presentes.

5. Cadeiras no geral.
A sensação de não encostar o pé no chão é aterrorizante e isso acontece mais vezes do que o desejável quando se é pequeno, principalmente durante aulas ou reuniões em que você fica sentado balançando os pés para que não adormeçam sem nunca sentir o chão abaixo de si como as pessoas normais que tendem a rir ao ver a cena enquanto batem os pés no chão ou descansam os mesmos em apoios facilmente alcançáveis em sua frente, para mim, a sensação se assemelha a sentar na ponta de uma montanha.

6. Cardápio infantil
Uma das piores coisas em se sair com seus grandes amigos e familiares é receber o cardápio infantil e o olhar confuso de um garços tentando calcular sua idade de acordo com seu estilo e com o pouco mais de um metro que você possui, mas nada contra os brinquedos que acompanham as batatas sorridentes de um lanche, de verdade.

7. Cinto de segurança
Passear a carro pela cidade é sensacional, mas quando se é pequeno, além de ser sempre a pessoa do meio que acaba sendo esmagada quando o carro está cheio por não atrapalhar tanto o motorista enquanto este dirige, o cinto acaba deixando de ser aquele que te protege e se torna a constante corda que enrola e te enforca, pois é.

8. Visualização
Quando algo espetacular está sendo mostrado ao grupo atraindo a atenção de todos, uma parede de corpos é formada impedindo que você enxergue algo além dos ombros e cabeças a sua frente, risadas e piadas são ditas e você apenas assente como se tivesse desfrutado e participado daquele momento de exibição com todos enquanto sente seus dedos doerem de tanto ficar na ponta do pé.
Em shows então é um absurdo, ou você luta o bastante contra o mar de pessoas para alcançar a grade e ser a primeira do lugar, ou arranja alguém alto e disposto o bastante a te carregar nos ombros enquanto você curte a exibição, a situação é quase a mesma quando você está no cinema e reza para nenhum Pé Grande sentar na sua frente.  
Enfim, visualização é um caos em forma de sentido e ação.

9. Sonhos destruídos
Pessoas pequenas abrem mão de algumas coisas, como o sonho de ser modelo ou aeromoça, salvar gatinhos de árvores, apagar incêndios como bombeiros, pilotar um avião e tantos outros, ou como o meu caso em questão: sou muito pequena para jogar em um time de vôlei, por mais que saiba jogar e tal, no final das contas meu sonho de ser jogadora de vôlei foi deixado de lado e tudo que levei comigo foram dois pulsos abertos de tanto tentar (lágrimas aqui)

10. Roupas
Ter dois setores de compra parece algo incrível, até assumo que meus pijamas da sessão infantil são os melhores, mas ainda assim seguir essa tal ideia de moda é um sacrifício para nós, sem falar que comprar uma calça automaticamente exige a ajuda de uma costureira para fazer a barra que consome nossos tornozelos.

11. Perguntas desagradáveis
"Como é ver o mundo ai de baixo?"
"Quando chove você é a última a perceber?"
"Você consegue me ouvir?"
"Qual é a sua altura afinal?"
"Se você tentar me dar um tapa na cabeça vai acertar meu joelho?"
"Seu carro ainda tem cadeirinha né?"
E muitas outras com o mesmo cunho "cômico"

12. Versatilidade
Você cabe na maioria dos lugares apertados, não é impossível para suas mãos passarem naquela fresta e pescar o objeto perdido, com um pouco de desdobramento você consegue passar pelo espaço de uma porta travada, além disso seu centro de gravidade é tecnicamente menor, o que faz com que suas chances de queda sejam menores (yey)

13. Apoio
Somos ótimas pessoas se me permitem dizer, geralmente somos bons amigos, professores, pais, mãe e irmãos no geral, fazemos as pessoas rirem, sabemos dar um apoio moral nas situações difíceis, ouvir e aconselhar pacientemente na maioria dos casos, mas isso não quer dizer que colocar seu braço sobre nossas cabeças buscando apoio e descanso seja algo normal e agradável, tudo bem?

14. Seriedade
Você até tenta ser séria, fala com convicção, demonstra sua raiva e irritação com determinado acontecimento colocando todas as palavras possíveis que vem a sua mente para fora como todo mundo faz, mas no final do discurso a pessoa sorri e diz algo como "você fica tão fofinha quando está brava" e bagunça seu cabelo como se nada houvesse acontecido 

15. Alcance
Me perco nas vezes que escalei a bancada de casa para alcançar o que colocaram em cima do armário e longe do meu alcance maldosamente, quando se tem pouca altura tudo parece ser inalcançável e a situação só piora quando as pessoas dificultam tudo pelo tom da piada e entoam risadas enquanto você sofre por um biscoito ou um remédio, ou fica pulando nas piscinas que não dão pé, ou fica com sol na cara por ser muito pequena para o tapa sol do carro, na realidade, as pessoas altas que projetam coisas esquecem de como nós existimos aqui.
Já diziam os cientistas que os que sobrevivem são os fortes e adaptados à natureza, e com o tempo você aprende a escalar, pular mais alto, escalar bancadas, usar objetos e sua própria inteligência como objeto de defesa nessa vida cruel.

No final do dia tamanho não é identidade, pequenos homens como Gandhi e Bonaparte realizaram atos enormes e marcantes em uma escala global se impondo acima de suas características físicas, somos quem podemos ser independentemente da forma em que fomos criados, e como diria o poeta:

0 comentários: