As paredes gritam sim pelo amor próprio

sábado, setembro 19, 2015 Cecilia Fernandes 0 Comments


Um saco, eu assumo por experiência própria, essa história de não se ver suficiente é uma droga. Desde cedo me ensinaram que na vida sempre existirá alguém que é “mais” que você: mais bonita, mais inteligente, mais alta, enfim: mais. E no final das contas a vida é assim mesmo, respira fundo e bola para frente.

Mas não tem que ser assim, e na minha sincera opinião, não é.

A real é que nos perdemos no turbilhão de “pré-conceitos” que somos expostos, nos ideais de beleza que existem em formato de outdoor ou na própria caixinha da televisão, desde muito cedo vemos crianças em propagandas de fraldas e adultos se adaptando ao meio como camaleões em busca da constante sobrevivência nessa natureza selvagem, somos educados para nos sentirmos inferior e manter-nos estacionados em uma linha de satisfação, somos cegados sem perceber e tomamos isso como algo comum.

Cada um tem sua própria beleza, seus próprios atributos e características, cada beleza é um tipo e elas existem sim em nós! Beleza não é só a estética, ter o melhor cabelo ou o melhor sorriso dentre tantos. Inteligência é beleza, ser engraçado é beleza, bom papo é beleza, coração é beleza: deixe de lado essa história de querer ser “mais”, cada um é feito unicamente porque ninguém é insubstituível no final das contas, somos amontoados de diferentes características e capacidades andando pela Terra sem direção, alimentando necessidades fulas e ambições vazias.

Ambicione ser feliz sendo si mesmo, não acredite naquele mimimi de metade da laranja, panela sem tampa, tranca sem chave e tudo mais. Seja uma frigideira, uma uva ou uma porta de shopping, mas seja si mesmo se possível, tenha a capacidade de se olhar no espelho e amar cada manchinha ou curva existente no reflexo, use seu amor próprio como incentivo para fortalecer os seus fortes e aprimorar-se a cada manhã.

Por mais que pareça isso não é uma crônica de autoajuda ou algo assim, sou só eu, redigindo esse texto depois de tanto tempo alimentando a sensação de não ser “boa o bastante”, tentando chegar àquele que entende como é e dar uma bela sacudida com direito a alguns petelecos aleatórios. Larga de história: se ame caro leitor!

Talvez se nos amassemos mais saberíamos sim como amar aos outros e amar o mundo que é tão parecido com a gente: defeituoso, estranho e imprevisível, mas repleto de uma beleza que o destoa dos tantos outros. 

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