Projeto Chega de fiu fiu!

domingo, janeiro 11, 2015 Cecilia Fernandes 1 Comments


Alô, alô migos!
O assunto dessa postagem é o projeto Chega de fiu fiu que eu conheci por meio da blogosfera navegando pelos blogs feministas que eu admiro muito, como a própria Madu disse na publicação dela sobre o projeto é um projeto que até quem não é feminista concorda. Já comentei sobre feminismo aqui no blog, mas do jeito que a sociedade está falar mais uma vez nunca é demais.
O que é o projeto?
O Chega de fiu fiu é um projeto que procura combater o assédio sexual em espaços públicos, os comentários ofensivos, os assobios invasivos, as palavras grosseiras que transformam o corpo de uma mulher, que deveria ser considerado um santuário, em um simples objeto, um brinquedo que deve atender as demandas e desejos da sociedade. O projeto procura lutar a favor do espaço feminino em público, do direito de ir e vir sem ter que sentir medo se alguém irá te assediar ou te atacar fisicamente e verbalmente.
Quem criou o projeto?
As feministas maravilhosamente fortes do blog Think Olga o espaço apresenta textos, vídeos e fotos que debatem sobre o tema feminismo e direitos da mulher no século XXI, é completamente inspirador e explicativo para quem deseja saber mais sobre feminismo.

Como o projeto surgiu?
A autora do projeto, Juliana de Faria, contou ao GNT nessa entrevista que quando tinha 11 anos sofreu seu primeiro assedio, quando estava indo para a padaria um homem começou a gritar obscenidades de dentro de um carro e ela não havia entendido o que aquilo significava e começou a chorar, uma senhora a parou e disse para ela não se preocupar porque aquilo era um elogio. Foi a partir do sentimento individual, porém pensando no geral também, que a garota pensou no projeto buscando abranger para todas as outras mulheres que sofrem o mesmo tipo de opressão.

Minhas ilustrações favoritas sobre tema:

Um relato de uma garota:
Amanda sempre gostou de correr na praça perto a sua casa, preferia a liberdade de um lugar aberto ao abafo e calor de uma academia. Amanda também gostava de roupas coloridas, confortáveis e práticas e claro que quando ia correr vestia sempre roupas que a faziam se sentir bem, independente de quem estava ao redor dela. Todas as tardes a garota corria dez voltas na praça, gostava de sentir o cheiro das flores, a brisa da rua e o calor do sol no seu rosto, também gostava de observar o padrão de rachaduras no asfalto da praça, o numero de flores que cresciam ao seu redor e os pais com seus filhos ensinando-os a andar de bicicleta.

O movimento de carros não era intenso nos dias que a garota caminhava por ali, era sempre muio calmo e seguro sem nenhum problema. Perto do parque havia um bar bem muchocho que vivia cheio de homens desocupados bebendo durante a semana, eles a olhavam correndo, mas isso não era um problema, Amanda pensava e acreditava que olhar não faz mal, o que você faz depois que olha faz.

Até que um dia a garota decidiu caminhar quando a praça estava menos movimentada em comparação a rua, estava chateada com alguns problemas de família e só queria espairecer com uma boa caminhada, eis que surge uma caminhonete preta cujo motorista abre descaradamente a janela apenas para gritar "GOSTOSA!" e depois sair rindo como um idiota. Amanda deve ter ficado uns bons minutos olhando para o nada tentando absorver o que havia ocorrido, a garota não estava provocante, vestia uma calça de malha colorida e uma regata sem decote, apenas uma regata comum. Seu cabelo estava preso e ela estava extremamente suada para aparentar algo semelhante o que ouviu. O corpo que tinha era normal, nada a mais nem a menos, umas gordurinhas aqui outras ali, curvas que todas as mulheres tem. 

Se aquilo fosse o fim nada teria mudado em sua rotina, mas aquilo era apenas a ponta do iceberg. Ouvia buzinadas, assobios, comentários ofensivos, sentia os olhares queimando em seu corpo mais do que o sol quente da praça, via motoqueiros rondando a praça apenas para observa-la correndo como maníacos descontrolados. Sem perceber a garota passou a correr menos, mais rápido sem olhar para ninguém, passou a usar roupas sem cor, fechadas escondendo ao máximo seu corpo. Quando viu não corria mais na rua, ficava em casa com medo do assédio.

Deixou o que mais gostava de fazer porque sentia medo demais para agir. 

Para saber mais do projeto:
Think Olga explica sobre o projeto: (aqui)
Site oficial do projeto: (aqui)

Divulgue, ajude, compartilhe, participe das pesquisas e interaja com as outras garotas que acessam o site, quem sabe um dia consigamos alcançar o objetivo de livrar-nos do assédio público.  

Um comentário:

  1. Esse projeto é uma maravilha. Que elas arrecadem o suficiente pro projeto ser um sucesso❤

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