"O para sempre é composto de agoras"

Por Cecilia Fernandes - sexta-feira, junho 20, 2014


A frase que desenvolve esse texto foi lida em um dos meus livros juvenis favoritos, embora pertença originalmente à poetisa Emily Dickson. Há muito tempo atrás, quando a primeira versão desse conteúdo foi escrito, revivia minha paixão por escrita através dos livros de John Green - durante a época em que havia um tremendo hype* por seus livros no mercado editorial. Se bem me recordo, enquanto relia o livro encontrei essa citação em específico, foi marcada por mim e marcou todo o restante da leitura: "O para sempre é composto de agoras"

Parte do impacto causado por essa frase, dita pela protagonista Margo durante questionamentos de Quentin sobre o futuro, é proveniente da reflexão que ela causa. A interpretação de que o futuro é feito por momentos presentes é óbvia, mas para uma pessoa ansiosa como eu e grande parte das pessoas da minha geração, a constatação da importância do presente pesa em minha consciência tanto quanto os inúmeros planos e preocupações que surgem quando tento antecipar os próximos acontecimentos da minha vida. 

Descobri a ansiedade muito cedo, dentro do ensino fundamental a partir de uma nota péssima em matemática que desencadeou uma pressão interna sobre tudo relacionado à provas, notas e aprovação escolar. Aos dez anos comecei a surtar com escola ao invés de aproveitar minha infância como o restante dos colegas de sala, a partir dessa época o quadro começou a se agravar e suavizar na mesma medida em que tratava do problema com a ajuda de meus pais e profissionais da área de educação. Quando reli esse texto e decidi reescrevê-lo, a retrospectiva de algumas situações que enfrentei até o presente momento por conta da ansiedade me permitiram novos pensamentos e opiniões a respeito de uma citação tão simples, embora tão importante quanto a do livro Cidade de Papel. 
Questionei a mim mesma e gostaria de questionar a você, leitor ou leitora desse texto, quantos momentos presentes foram perdidos por estar com excesso de futuro em sua mente? Posso dizer tranquilamente que perdi alguns momentos preciosos durante esses sete anos lidando com o que Augusto Cury chama de "Síndrome do Pensamento Acelerado" em sua série de livros sobre ansiedade, porém, é exatamente essa constatação que me faz valorizar toda a melhora que conquistei até hoje e ser grata pelos momentos em que minha felicidade foi maior que a preocupação.
Após um terceiro ano intenso e insano no quesito saúde mental e física, sacrificando mais do que devido para alcançar o sonho que estou vivendo no ano de 2018, pude perceber a importância que é escrever sobre ansiedade. É por meio de textos sobre esse tema que compreendi minha necessidade de tratar dessa questão com ajuda psicológica, que vi quantas pessoas passam pelas situações que passei, que senti não estar sozinha e me assustei com a normalização de um quadro sério como esse. 
Li artigos científicos, ensaios críticos, livros e poesias para entender mais sobre a ansiedade e sobre como as pessoas convivem com essa questão. A mim, incomoda muito a romantização por meio de poemas e livros literários que utilizam de uma distúrbio de saúde mental na construção de personagens, entretanto, é por meio dessas leituras e de frases como a de Emily Dickson que constato o óbvio e me permito refletir sobre a imprevisibilidade do futuro - apesar disso parecer um gatilho para crises de ansiedade. 
O para sempre é na verdade um caminho tortuoso repleto de incertezas, alternativas e caminhos que podem ser facilmente alterados por pequenos atos, disso eu tenho certeza. Compreendo hoje que o meu para sempre tem marcas de ansiedade na mesma medida que tem toques importantes dos bons momentos que vivo neste mesmo caminho. Reconheço que alguns traços da minha personalidade estão diretamente ligados com o fato de planejar e me preocupar, porém, diante da leitura da primeira versão desse texto, quero compartilhar como mensagem os aprendizados que o tempo me trouxe sobre agradecer e valorizar cada instante, vivendo-os da melhor maneira que você puder.

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6 comentários

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  2. Amo muito os livros do john,e ameeiii a postagem parabéns....

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    1. Só um detalhe: essa frase não é do John Green, é uma citação de Emily Dickinson.

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  5. Jurava que essa frase era de Emily Dickinson

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