Ás vezes

domingo, junho 22, 2014 Cecilia Fernandes 0 Comments


Ás vezes acho que te esperei de mais, sabe? Ou talvez não tenha esperado o suficiente. Eu não sei. Foram dois longos anos esperando que você voltasse e te vendo seguir com a vida. Pois é, você seguiu a vida e eu não fiz parte dela. Vi-te mudar de país, passar na faculdade, arranjar uma namorada, comprar um apartamento com ela, vi tudo, mas vi tudo de longe. Não tive a oportunidade que as outras pessoas tiveram de te ajudar nessa conquista, mas como eu queria ter tido, talvez não como a garota que você ama, mas pelo menos como uma amiga.

Durante esses dois anos eu te vi partir inúmeras vezes e na esperança de que voltasse e me levasse contigo fiquei esperando e como eu te esperei. Esperei-te e imaginei as mil maneiras de que você voltaria, imaginei quando cumpriria as promessas que havia me feito naquela viagem, imaginei quando deixaria de ser um sonho distante e se tornaria uma realidade que eu me via merecer, fiquei esperando por não sei quanto tempo. 

E então você voltou... De novo.

E tão rápido quanto voltou, partiu, mas dessa vez com outra pessoa, uma nova pessoa que, infelizmente, não era eu. Foi com a outra garota, a sortuda, a novata que surgiu do nada e te transformou no mais bobo apaixonado que você poderia ser, fez com que você virasse tudo aquilo que jurou nunca se tornar, mas eu respirei fundo, disse estar tudo bem e deixei com que parte do meu coração desejasse a ti, o meu melhor amigo, o meu companheiro de aventuras e meu primeiro amor, as mais sinceras felicidades. 

Quando você voltou, dizendo que a mesma havia lhe traído, te trocado pela gandaia, pelas festas e por uma vida que não era dela eu percebi que o garoto que eu amei era uma ilusão tão grande quanto os sentimentos fomentados por mim ao ouvir suas falsas promessas, percebi que era mesmo a sua hora de partir, concordei quando disse grosseiramente que não deveria se importar tanto com as pessoas deixadas para trás e percebi que era a minha hora de deixar a menina que o amava para trás.

Ante seus olhos chorosos de quem me contava o triste fim de um relacionamento, lembrei-me da vez que disse que eu era uma criança tola, incapaz de entender o amor ou a vida, ante esse teu coração quebrado por um amor enganado pude ver que o amor não está no seu vocabulário, porque amor não pode significar o que você pensa que é, não merece ser xingado ou julgado numa messa de bar como foi naquele dia, não merece esse peso, ser tratado como um vírus e não como um presente.

Havia me quebrado em mil pedaços para poder estar sempre com você, perdi a garota que eu era para poder lhe satisfazer, para ser notada, transformei o meu reflexo no espelho em algo robotizado apenas para ouvir um singelo elogio vazio vindo de você, mas depois disso, decidi quebra-lo e criar uma nova imagem de mim. Juntei meus cacos, apaguei as fotos e queimei todos os resquícios de esperança e desse amor doentio que ainda estava dentro de mim, dessa vez, era pra sempre.

E foi bom te encontrar novamente. Poder te abraçar e conversar normalmente. Poder sentir por alguns segundos aquele amor juvenil e bobo que queimou no meu peito durante dois longos anos, foi bom saber que a tua vida está bem, saber que a tua namorada nova pode ser sua futura noiva, saber que ela realmente é incrível e saber que vez ou outra você pensa e se lembra de mim. 

As vezes me pego pensando como seriam as coisas se você simplesmente tivesse ficado, se tivesse realizado um terço do que me prometeu, se tivesse me pedido em namoro outra vez, se tivesse me amado como disse amar uma vez, ás vezes me pego pensando que talvez você poderia ter voltado, mas ai vejo teus olhos brilharem quando cita aquela outra pessoa, vejo como fica perto da sua namorada, como sonha acordado ao falar dela. Ás vezes acho que fui boba, mas quando o assunto é amor não há como deixar de ser. 

E hoje nós brincamos, até porque você nunca soube disso tudo, que um dia o tal do nós poderá acontecer, que um dia eu direi sim as suas investidas indiretas, que um dia eu vou te deixar me buscar no aeroporto, mas no fundo a única coisa que você tem além da minha amizade é o mesmo não que tive de ouvir por anos vindo de ti. Não penso em negar por vingança, mágoa ou raiva, até porque sei que o meu amor por você existiu e me ensinou a amar, mas sei que negarei porque o sentimento que corrói e dói não pode ser chamado de amor. 

0 comentários: